• Notebook,  Opinião

    OPINIÃO | LÁBIOS VERMELHOS, IDIOTAS E LIBERTADE

    Há uma semana comecei a ler 1984, de George Orwell. escolhi este livro porque já o queria ler há algum tempo  – aliás, está na minha lista de 30 livros para ler antes dos 30 anos. Escolhi este livro devido à situação pela qual estamos a viver. Há uma semana decidi sublinhar este livro a vermelho. Primeiro porque gosto da cor. Segundo porque o lápis azul que estava a usar nos anteriores não me fazia sentido neste livro. 1984 é fala da perda da liberdade. Parecia uma falta respeito usar a cor com a qual era feita a censura, no tempo de Salazar. Não pensei em cores partidárias, mas, confesso, associei o vermelho à resistência. Vermelho da luta Ontem, deparei-me com a passagem sublinhada na imagem no início da publicação. “… os lábios vermelhos brilhantes. As mulheres do Partido nunca se maquilham.” Achei curioso ler isto em dias nos quais o batom vermelho se tornou rei e símbolo de um manifesto. Na sexta, 15 de janeiro, a internet uniu-se munida de batons vermelhos, porque certa pessoa lembrou-se que uma mulher não pode usar batom vermelho e ser decente. Que as mulheres que usam batom vermelho não são capazes de governar…

  • Livros,  Opinião

    Um de nós mente

    Bronwin é a melhor aluna da escola e nunca viola uma regra; Cooper, a estrela de basebol; Nate é o aluno problemático e está em liberdade condicional por vender droga; e Addy, a rapariga popular, que aparenta a vida perfeita e o namorado de sonho. O que têm em comum? Estavam na mesma sala de castigo com Simmon Kelleher, aquando a sua morte. Simon era conhecido, na escola, por ter criado a aplicação ‘Má Língua’, na qual publicava mexericos sobre todos os alunos. A sua morte, ao início, parece ter sido um acidente, mas, rapidamente se percebe que foi planeada. Os quatro colegas que estavam consigo no castigo tornam-se os principais suspeitos e toda a história se desenrola em torno deste grupo díspar e na procura da resolução do homicídio. A narrativa é feita a quatro vozes, no estilo de diário, dando a conhecer a visão e vivência de cada um dos protagonistas. Ao longo da história são, também, revelados segredos inesperados da vida dos jovens e que podem ter um impacto negativo nas suas vidas e  no seu futuro. Detalhes que não querem ver revelados e dos quais o fundador da “Má Língua” tinha conhecimento. Cada pormenor desvendado dá vivacidade à trama e…

  • Livros,  Opinião,  The Bibliophile Club

    A Maravilha Imperfeita

    Um livro para ler ao sol é o tema de julho e agosto do The Bibliophile Club, para o qual escolhi A Maravilha Imperfeita, por ter um gelado na capa e uma das personagens principais ser dona de uma gelataria e porque gelados fazem parte do meu ideal de verão. Todavia, está leitura revelou-se imperfeita ao longo de todo o livro e não só no nome. A ação decorre em Provença, França, e junta Milena Migliari, a dona de uma gelataria de gelados artesanais, e Nick Cruickshank, vocalista de uma célebre banda inglesa. Ambos estas prestes a dar passos importantes nas suas relações, porém, nem um nem outro tem, verdadeiramente, vontade de o fazer. Estão, apenas, a seguir o caminho mais fácil e a lealdade para com as suas companheiras. A história de Andrea de Carlos tem potencial, mas falta-lhe algo que prenda a leitura e lhes dê fluidez e naturalidade. No decorrer da narrativa, encontram-se poucos diálogos e demasiadas interrogações. Ingredientes que resultam numa obra sem sabor, pois a falta de interação entre personagens torna a história monótona e maçadora e o excesso de introspeção corta o ritmo da leitura e não acrescenta muito à trama. Marisa