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A insustentável leveza do ser
Livros adaptados ao cinema ou televisão foi o desafio lançado para o The Bibliophile Club, em janeiro. Para escolher a minha leitura, peguei nos livros por ler e escolhi um que tivesse sido adaptado ao pequeno ou grande ecrã, tal como disse aqui. O vencedor foi A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera, um clássico que estava em lista de espera, cá em casa, desde o verão. O LIVRO A ação decorre entre Praga e Zurique, a partir de 1968 e atravessando algumas décadas. Num primeiro plano, conta a história de Tereza, Tomas, Sabina e Franz, cujas vidas se cruzam, seja pessoalmente, seja por força de comparações e pensamentos. Seria uma história como tantas outras, de amor, acasos e traições, não fosse toda a introspeção filosófica do autor, bem como acontecer durante a invasão russa à, na altura, Checoslováquia – agora, República Checa e Eslováquia. A narrativa mistura acontecimentos da vida das personagens, com uma extensa análise à condição humana segundo Kundera. O autor checo-francês fala da leveza e do peso, do retorno e da compaixão, dividindo o livro nestas três grandes partes. Ao mesmo tempo, A Insustentável Leveza do Ser é um registo histórico das invasões da União Soviético…
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A Maravilha Imperfeita
Um livro para ler ao sol é o tema de julho e agosto do The Bibliophile Club, para o qual escolhi A Maravilha Imperfeita, por ter um gelado na capa e uma das personagens principais ser dona de uma gelataria e porque gelados fazem parte do meu ideal de verão. Todavia, está leitura revelou-se imperfeita ao longo de todo o livro e não só no nome. A ação decorre em Provença, França, e junta Milena Migliari, a dona de uma gelataria de gelados artesanais, e Nick Cruickshank, vocalista de uma célebre banda inglesa. Ambos estas prestes a dar passos importantes nas suas relações, porém, nem um nem outro tem, verdadeiramente, vontade de o fazer. Estão, apenas, a seguir o caminho mais fácil e a lealdade para com as suas companheiras. A história de Andrea de Carlos tem potencial, mas falta-lhe algo que prenda a leitura e lhes dê fluidez e naturalidade. No decorrer da narrativa, encontram-se poucos diálogos e demasiadas interrogações. Ingredientes que resultam numa obra sem sabor, pois a falta de interação entre personagens torna a história monótona e maçadora e o excesso de introspeção corta o ritmo da leitura e não acrescenta muito à trama. Marisa
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O Fim da Inocência
Inês tinha 14 anos quando perdeu a virgindade, Gonçalo 13. E já eram velhos. Começaram a ver pornografia aos 10 e a maioria dos seus colegas tiveram a sua primeira vez por volta dos 12. Os protagonistas d’O Fim da Inocência I e d’O Fim da Inocência II têm muito em comum: frequentam os melhores colégios na zona de Lisboa e Cascais, têm boas notas, pertencem a famílias distintas e, aos olhos dos seus pais, são perfeitos. Mas, na realidade, deambulam num mundo de sexo desprotegido, álcool e drogas. Os livros de Francisco Salgueiro foram a minha escolha para tema do The Bibliophile Club: Autores Portugueses. Inicialmente, o objetivo era ler o primeiro livro, contudo gostei tanto que tive mesmo de ler o segundo logo de seguida. Ambos falam de histórias verídicas e chocantes que se passam nos corredores das escolas, no quarto ao lado dos pais, nas discotecas, ou em casa de desconhecidos. Onde quer que as personagens estejam respira-se sexo e vive-se no limite da decadência. Aos 16 anos já experimentaram tudo e a tendência é para se afundarem cada vez mais. Com uma escrita fluída e testemunhos que mais parecem ficção, o autor dá-nos a conhecer a …







