LER CRÓNICAS É LER A VIDA
Comecei a ler crónicas mais pelos autores do que pelo género em si. Ficção é e sempre será o meu género literário predileto. Mas, uma vez por outra, gosto de ir variando e as crónicas são uma ótima opção.
É algo muito raro e pouco variado. Dos quatro livros de crónica que tenho, três são do Ricardo Araújo Pereira (RAP) e uma do Miguel Esteves Cardoso (MEC).
Foi por causa do Ricardo Araújo Pereira que comprei o primeiro livro de crónicas. E o segundo. E o terceiro. Sou fã do humorista desde miúda, no tempo dos Gatos Fedorento e fui sempre acompanhando o seu trabalho.
Quando estava a viver (e estudar) em Leiria, em 2018, houve uma sessão de apresentação do livro “Estar Vivo Aleija”, com as crónicas que o RAP escreve para o jornal brasileiro A Folha de S. Paulo. Não resisti a oportunidade de ver e ouvir o humorista ao vivo, então lá comprei o primeiro livro de crónicas.
Há dias terminei o quarto livro de crónicas. Também ele do Ricardo e também ele de textos editados n’A Folha de S. Paulo. O “Idiotas Úteis e Inúteis”. E se há ideia que retiro quando leio este género é que ler crónicas é como ler pequenos retratos narrados da vida.
Ler crónicas é ler vida
Abrimos um livro e deparamo-nos com o mundo todo ali escancarado. Por vezes, tal como nós o vemos. Outras tantas com um olhar totalmente novo. Recordamos acontecimentos da história atual e descobrimos alguns que nos escaparam entre a avalanche de informação.
Um livro de crónicas é quase como um diário. Temos pensamentos e opiniões sobre a atualidade política e social. Mas, também temos acesso aos pensamentos e testemunhos mais mundanos e aleatórios sobre acontecimentos da vida do autor, ou de quem lhe é próximo.
As crónicas são pedaços de vida registados para a eternidade. Fazem lembrar aquelas caixas de textos com excertos de cartas de épocas antigas, que encontramos nos livros de História.
Será que daqui a muitas centenas de anos os livros de História vão ter excertos de crónicas do RAP, do MEC ou de outro cronista qualquer? Acho que é provável. E só tenho pena de não o testemunhar. Era capaz de escrever uma crónica sobre isso.



2 Comments
Andreia Morais
Adoro ler crónicas, totalmente por culpa do MEC *-*
Acho que este género, para além de partilhar esses pedaços de vida, proporciona-nos outra liberdade, porque podemos ler os textos de forma espaçada e sem ordem definida
Marisa Vitoriano
É isso mesmo! É um género para ser com calma e apreciar a vida de outra forma 🙂