LIVRO REVOLUÇÃO, HUGO GONÇALVES
Abril não pode terminar sem falar do livro Revolução, de Hugo Gonçalves. Revolução é mais do que um livro sobre o 25 de Abril. É um livro sobre um país em mudança, representado por uma família dividida em polos opostos, onde acompanhamos três irmãos com ideologias e objetivos diferentes e uma mãe que só queria os seus filhos protegidos e por perto.
Uma história sobre História
O livro está dividido em seis partes, sendo que as três primeiras são sobre cada um dos três irmãos protagonistas desta história. Gostei bastante da forma como cada um trazia um lado da revolução, desde os mais extremos ao mais moderado.
O 25 de Abril é o tema central do livro Revolução, mas o grande foco está nas personagens, o que torna a narrativa mais pessoal. Além disso, gostei bastante de ir acompanhando a evolução das personagens, a par das mudanças de um Portugal pós-revolução. E mesmo tendo ficado triste com o desfecho de alguns, percebo a razão de o ser e a mensagem a passar.
Além disso, a escrita vai mudando consoante a personalidade e características da personagem. Por exemplo, na primeira parte temos algo mais “desajustado” para ir ao encontro com o lado conflituoso e de oposição da Maria Luísa. Já na segunda parte uma escrita mais solta para corresponder com um Frederico meio perdido, meio menino. E na terceira parte uma escrita mais contida tal como a personalidade reta de Pureza.
Mas as peculiaridades da escrita não ficam por aí! Na quarta parte, temos uma narrativa mais confusa, para representar os tempos tumultuosos e de incerteza que se viveram depois do fim do Estado Novo, até Portugal encontrar o seu caminho numa democracia partidária.
Mestria da imparcialidade
O livro Revolução mostra o que foi o pós 25 de Abril sem fazer pender para lados políticos. Hugo Gonçalves conseguiu contar esta parte da História de Portugal com a proeza da imparcialidade, mas lembrando que a vida pode ser injusta e não devemos tomar nada como garantido. Incluindo a liberdade que 25 de abril nos deu.
Demorei quase um mês a ler este livro. Foi uma leitura lenta e admito que houve alturas em que não foi fácil. Ou por algumas descrições de acontecimentos ou pela densidade histórica que um livro assim pede. Foi uma leitura lenta, mas que me fez todo sentido ser assim, para poder absorver bem a história.
Foi também uma leitura muito prazerosa e interessante. A escrita do Hugo Gonçalves conquistou-me logo nas primeiras páginas. A forma como ele joga com as palavras – ditador-raspador de cozinha passou a ser das minhas expressões favoritas! – é de um enorme talento e tem um grande toque cinematográfico. Resumindo, a escrita do livro Revolução é poesia, é crueza, é mestria.
Este foi o primeiro livro que li de Hugo Gonçalves e fiquei rendida! Vou querer ler mais deste autor, sem dúvida.
Já leste o livro Revolução?


