livro jesus cristo bebia cerveja, afonso cruz
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jesus cristo bebia cerveja, afonso cruz

Jesus Cristo Bebia Cerveja, porque esta era um símbolo do povo. E é sobre o povo que o livro de Afonso Cruz fala. Mais precisamente sobre os habitantes de uma aldeia do Alentejo. A aldeia não tem nome e o tempo da ação é difícil de precisar. Mas, também não é preciso. As aldeias não se definem pelo tempo, mas pelas pessoas que lá vivem.

Existe uma velha que sonha ir a Jerusalém antes de morrer. Uma jovem meio perdida da vida, órfã, que tem de cuidar da avó e vive entre dois amores. Um pastor que cheira a campo e não sabe falar de sentimentos. Um professor reformado, agnóstico da religião e discípulo das ciências. Uma inglesa tão rica que comprou uma aldeia e ainda contratou teóricos para lhe fazer companhia

Histórias de aldeia e o sabor a casa

Todos os habitantes desta aldeia em particular são figuras caricatas. Tal como em todas as outras aldeias, no geral. Note-se que isto não é um crítica. Pois a ser, contra mim também estaria a falar. Sou menina da aldeia e tenho todo o orgulho.

Aliás, algo que gosto na aldeia são as pessoas e as histórias antigas, que costuma ser as mais engraçadas. A verdade é que, seja numa cidade ou numa aldeia, todos têm características peculiares e o “ser normal” é só uma ilusão. Só que nas terras mais pequenas (quase) toda a gente se conhece e estes pormenores das características de cada um são mais fáceis de serem notados.

Este foi um dos grandes motivos pelo qual adorei o Jesus Cristo Bebia Cerveja. O ser uma aldeia de gente caricata fez-me lembrar a minha própria terra. E todas as histórias que a minha família conta sobre como era a vida antigamente. Houve, até, uma cena específica que era muito idêntica a um desses relatos que me fazem sempre rir.

No fundo, este livro fez-me sentir em casa. Podia ter sido o livro para o tema de fevereiro do Alma Lusitana, mas foi mesmo o escolhido para o mês de março: Coimbra, um livro do meu autor favorito. Sim, Afonso Cruz está no primeiro lugar do meu pódio de autores portugueses. E em segundo no pódio geral.

A sua escrita encanta-me e inspira-me. Tanto a ler mais como a escrever mais. Confesso, até, que esta leitura me deixou com ainda mais vontade de escrever sobre as histórias que a minha família conta. Nem tanto com a intenção de as editar, mas essencialmente para ficar com um registas de memórias que, a pouco e pouco, tendem a ficar esquecidas.

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