livros para o dia das mulheres
Hoje é o Dia Internacional das Mulheres, um dia de luta e conquistas. Como os livros são uma arma – e um ótimo lembrete daquilo que temos e pelo que já passámos – decidi assinalar este dia, com uma lista de livros para o Dia das Mulheres.
Mas primeiro, um pouco de contexto…

Porquê o Dia Internacional das Mulheres?
Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março, é mais do que uma data comemorativa. É um momento para refletirmos sobre a longa jornada percorrida pelas mulheres na luta pelos nossos direitos e para celebrarmos as nossas conquistas em todas as áreas da sociedade.
História do Dia das Mulheres
A história do Dia da Mulher remonta ao início do século XX, quando as mulheres trabalhadoras se uniram para lutar por melhores condições de trabalho e igualdade de direitos.
Um dos primeiros registos da luta das mulheres pelos seus direitos foi em 1908. Neste ano, milhares de operárias têxteis de Nova Iorque protestaram contra os baixos salários, os longos períodos de trabalho e a falta de segurança no trabalho. Essa mobilização histórica deu início a um movimento global que se espalhou por todo o mundo.
Ao longo do século XX, as mulheres lutaram por diversos direitos, como o direito ao voto, à educação, ao trabalho digno, à igualdade salarial e à participação política. Através de muita luta e perseverança, conseguimos alcançaram importantes conquistas, mas ainda há muito a ser feito.
Importância do Dia das Mulheres
No Dia Internacional das Mulheres, celebramos as mulheres que abriram caminho para as futuras gerações e que continuam a lutar por um mundo mais justo e igualitário.
Mas não é só isso que torna esta data tão importante. Este dia é também um momento para inspirar todas as mulheres a seguirem seus sonhos e a lutarem pelos seus direitos.
Além disso, é um lembrete de todos os direitos que já conquistámos e tudo o que ainda nos falta conquistar: mais igualdade de direitos, mais segurança, mais respeito, mais liberdade.
É um dia que, se o mundo fosse justo, não precisava de existir, mas que serve para recordar o quão frágeis são os nossos direitos e que, por muito pouco, podem-nos ser tirados sem mais nem menos.
Livros para o Dia das Mulheres: Ficção
Para celebrar este dia tão importante, preparei uma lista de livros de ficção que contam a história de mulheres inspiradoras e que abordam temas importantes como a luta pela igualdade de género, o empoderamento feminino e a superação de desafios.
Espero que esta lista sirva como um incentivo para que continues a lutar pelos teus sonhos, pelos teus direitos e pela tua liberdade. Por ti e por nós todas. Bem como que te inspirem a contribuir para a construção de um mundo mais justo e igualitário para todas as mulheres.

Dicionário das Palavras Perdidas, Pip Williams
O Dicionário das Palavras Perdidas passa-se em Oxford, entre o final do século XIX e o início do século XX, e conta a história de Esme. Órfã de mãe, passa a infância debaixo da secretária do pai no Scriptorium, onde este e outros lexicógrafos criam o primeiro Dicionário de Inglês.
Esme coleciona palavras. É, a medida que vai crescendo, percebe que há muitas mais palavras importantes além das que estão no dicionário. E que nem todas as palavras deste têm a melhor e mais completa definição.
Este é um ótimo livro para pensar sobre o feminismo porque a emancipação das mulheres na virada para o século XX. Além disso, foca-se muito nas “palavras das mulheres” e em como eram ocultadas do dicionário. Ou porque os lexicógrafos não as consideravam interessantes ou úteis, ou em como tinham definições pouco corretas ou incompletas, por falta de conhecimento e sensibilidade.
Deste modo, lembra-nos do processo de conquista dos direitos das mulheres e como ainda há algumas imposições que a sociedade ainda põe às mulheres nos dias de hoje.
Lê a review do livro O Dicionário das Palavras Perdidas aqui.
Anatomia: Uma História de Amor, Dana Schwartz
Anatomia: Uma História de Amor é um livro sobre feminismo, seguir os sonhos e o coração e a dificuldade de ser mulher no início do século XIX.
Hazel é uma jovem aristocrata de Edimburgo e foi educada para encontrar um bom marido. Contudo o seu sonho é ser cirurgiã. Como as mulheres não podem ter esta profissão, Esme veste-se de homem para ir a aulas de anatomia. Até descobrirem que ela é mulher, ser expulsa das aulas e ver-se obrigada a estudar por outros meios…
Este é um bom livro para este dia porque nos lembra dos direitos que fomos conquistando ao longo dos tempos. Além disso, tal como n’O Dicionário das Palavras Perdidas, faz-nos perceber que ainda há algumas mentalidades e pré-conceitos da sociedade parecidos com as do século XIX.
Ontem à Noite no Telegraph Club, Malinda Lo
Ontem à Noite no Telegraph Club, conta a história de Lily, uma jovem sino-americana que vive em Chinatown, Estados Unidos da América, em 1954. Lily Hu é uma boa menina chinesa. Pelo menos é isso que a sua mãe diz. Na verdade Lily é apenas uma adolescente a tentar descobrir quem é e qual o seu lugar no mundo, enquanto vive uma paixão secreta pela sua amiga Kathleen Miller.
Este é um romance queer sobre o primeiro amor e a autodescoberta. Sobre história e cultura. Sobre as vidas nas sombras do medo, da vergonha, da descriminação e dos tabus nos Estados Unidos dos anos 50.
Ontem à Noite no Telegraph Club é um dos livros para o Dia das Mulheres, para o mês do orgulho LGBT e para todos os dias do ano. É um livro sobre podermos ser quem somos, sem medos de represálias ou ataques.
Lê a review de Ontem à Noite no Telegraph Club aqui.
A Cidade das Mulheres, Elizabeth Gilbert
A Cidade das Mulheres conta a história de Vivian Moris, desde o verão de 1940, em que chegou a Nova Iorque aos 19 anos. Vivian vai trabalhar como figurinista no teatro da sua tia Peg e entra num mundo de artistas, festas e descobertas.
Este é um bom livro para o este dia, pois Elizabeth Gilbert mostra-nos uma realidade em que as mulheres imperam. Fala-nos de emancipação feminina e sobre as dores, anseios, lutas e vitórias destas mulheres que eram a exceção num mundo e num tempo de homens.
Uma Mulher Não é Um Homem
Uma Mulher Não é Um Homem falas de três gerações de mulheres árabe a viver nos Estados Unidos. Fareeda é a matriarca de uma família que se mudou para os Estados Unidos para fugir da fome e da guerra, mas nunca se conseguiu desprender das tradições. Isra, casou com o filho mais velho de Fareeda e foi obrigada a abandonar a Palestina para ir também para os EUA. Deya é filha de Isra, está prestes a fazer 18 anos e a única coisa que quer é ir para universidade, mas avó não concorda e quer que ela case o quanto antes.
Este é um dos livros para o dia da mulher porque é o retrato de toda a cultura patriarcal e do sofrimento das mulheres nos povos árabes. Fala não só sobre a dor e violência contra as mulheres, como também mostra todo um lado de autodescoberta e empoderamento feminino que luta por quebrar as tradições violentas e misóginas e encontrar uma vida livre e com esperança.
Lê a review do livro Uma Mulher Não é Um Homem aqui.
Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, Taylor Jenkins Reid
Evelyn Hugo dispensa apresentações. É uma das maiores estrelas de Hollywood de sempre e agora quer contar a sua história. Nasceu em Nova Iorque, mas mudou-se para Los Angeles na adolescência para seguir o sonho de ser atriz. Alcançou rapidamente o seu objetivo e tornou-se uma das atrizes mais conhecidas e cobiçadas nos anos 50. Casou sete vezes, mas só teve um grande amor na sua vida. Pelo romântico. Teve uma filha. Perdeu a filha, perdeu amores e amizades. Mas nunca se perdeu de quem era a verdadeira Evelyn. Sem o Hugo.
Este livro está nesta lista porque tem uma história muito forte e que toca em assuntos super relevantes – como o femismo, LGBTQIA+, doenças e o lado negro da vida das celebridades – que é impossível ficar indiferente.
Lê a review do livro Os Sete Maridos de Evelyn Hugo aqui.
Livros para o Dia das Mulheres: Não Ficção
O Dia Internacional das Mulheres é sinónimo de feminismo, resistência, lutas e conquistas. Há muitos livros de não ficção sobre o tema. Sinto que há cada vez mais, e ainda bem! Ainda me falta ler muitos, mas dos poucos que li aconselho todos:

Mulheres Invisíveis, Caroline Criado Perez
Mulheres Invisíveis é um livro de não ficção que mostra como um mundo foi construído por e para homens. Dá factos concretos de como muitas das criações, testes e regras da sociedade ignoram sistematicamente as mulheres, ou seja metade da população. Estas páginas expõem o preconceito de género que está na raiz da discriminação que afeta diariamente a vida das mulheres.
Esta leitura está a meio, mas não podia deixar de o recomendar! Mulheres Invisíveis podia vir com um “livro para o Dia das Mulheres” na capa porque é mesmo apropriado para esta data. E para qualquer outra, porque nunca é demais lembrar a o desiquilíbrio de direitos entre ambos os géneros. Aliás, devia ser de leitura obrigatória, especialmente para quem é contra o femismo. (E deixou o alerta de spoiler que pode originar revolta contra o patriarcado… ou homens no geral).
Tudo o que Sei Sobre o Amor, Dolly Alderton
Tudo o Que Sei Sobre o Amor é um relato hilariante e emocionante sobre a vida de uma da autora nos seus vinte anos.
Este é um dos livros para o Dia das Mulheres porque nos mostra altos e baixos da vida de Dolly Alderton, que podem ser os altos e baixos de tantas de nós. Desde as noites loucas com as amigas até às ressacas dolorosas e as decepções amorosas. Com humor, sarcasmo e uma honestidade brutal, Dolly fala sobre sexo, amizade, trabalho e tudo o que significa ser mulher na era moderna.
Mulheres Não São Chatas, Mulheres Estão Exaustas, Ruth Manus
Em Mulheres Não São Chatas, Mulheres Estão Exaustas, Ruth Manus traz uma visão real e humilde do que é ser mulher e do feminismo. Fala sobre o que já alcançámos e de tudo o que ainda precisamos de mudar para tornar a nossa vida mais justa. Para deixarmos de ser vistas como chatas e de andarmos sempre exaustas.
A temática deste livro é séria, mas a abordagem é leve tornando a leitura fácil e fluída. Em vários momentos Ruth Manus brinda-nos com excertos divertidos que fazem soltar algumas gargalhadas. Nem que seja por aquela máxima de it’s funny, because it’s true.
Em suma, este é um dos livros para o Dia das Mulheres e para todos os outros em que precisamos de nos lembrar de que por mais que (ainda) precisemos de lutar, não somos super heroínas e temos o direito de dividir os esforços do dia-a-dia e não levarmos as culpas do mundo às costas.
Lê a review de Mulheres Não São Chatas, Mulheres Estão Exaustas aqui.
Três Mulheres, Lisa Taddeo
Três Mulheres, de Lisa Taddeo, é um livro de não ficção que conta a vida sexual de três mulheres americanas muito diferentes e sem qualquer ligação. Deste modo, é um dos livros para o Dia das Mulheres porque abre a porta para vidas fora dos padrões da sociedade e mostra como várias realidades são válidas.
Lina é mãe e dona de casa, com um casamento sem amor e que encontra a inicia um caso extraconjugal com um velho amigo. Maggie aos dezassete manteve uma relação amorosa com um professor. E Sloane é dona de um restaurante e tem um casamento feliz com um homem que gosta de a ver a ter relações com outras pessoas.
Lê a review de Três Mulheres aqui.
As vossas sugestões de livros para o Dia das Mulheres
Como o empoderamento feminino faz mais sentido se nos unirmos, em vez de lutarmos sozinhas contra a maré, pedi sugestões de livros para o Dia das Mulheres nas minhas redes sociais e este foi o resultado:

Don’t Hold My Head Down, Lucy-Ann Holmes
A Maria Maçã, do @avidanopomar, sugeriu Don’t Hold My Head Down. Um livro de memórias honesto sobre a procura por bom sexo, da ativista Lucy-Anne Holmes. Apresenta-se como um relato franco, revelador e inspirador da procurar por um sexo melhor e que partilha dicas, revelações, fracassos e vitórias.
Becoming – A Minha História, Michelle Obama
A Eliana, do @asleiturasdaeli, sugeriu o Becoming, de Michelle Obama. Este livro não fala da Michelle-mulher-do-Obama. Becoming fala da Michelle a criança, a filha, a irmã, a estudante, a amiga, a sonhadora, a advogada, a ativista, a esposa, a lutadora, a mãe. Michelle, a Mulher.
Além disso, fala de vários temas importantes de debater, lembrar e trazer para a esfera mediática. Fala de racismo e da luta pela igualdade de direitos entre raças. Fala de machismo e na luta feminista. E ainda das desigualdades sociais, das faltas de oportunidades seja de na educação, no trabalho ou alimentação.
Mulheres da Minha Alma, Isabel Allende
A Inês Martins, do @bloguefika, sugeriu Mulheres da Minha Alma. Um livro em que Isabel Allende escreve sobre algumas mulheres importantes da sua vida. Ao mesmo tempo revisita a sua ligação ao feminismo ao longo da sua vida, refletindo sobre lutas sociais, as revoltas no seu país de origem e ainda sobre a pandemia Covid-19.
Cisnes Selvagens, de Jung Chang
A Margarida Póvoa, do @a_ostra, sugeriu Cisnes Selvagens. Um livro onde a autora escreve sobre a história da sua família como parte da história da própria China. É um romance sobre três gerações de mulheres de uma família que viveu o entusiasmo, a repressão, a violência e a degradação do regime chinês e do maoísmo.
Corpos Celestes, de Jokha Alharthi
A Margarida também sugeriu o livro Corpos Celestes. Este conta a vida de três irmãs numa aldeia de Omã. Mayya, que casa com Abdallah após um desgosto amoroso; Asma, que casa por obrigação; e Khawla, que rejeita todas as propostas enquanto espera pelo homem que ama.

Autoras
A Carolina Nelas, do @carolinanelas, sugeriu duas escritoras Chimamanda Adichie e Maya Angelou.
Chimamanda Adichie é uma feminista e escritora nigeriana. É reconhecida como uma das jovens autoras anglófonas mais importantes, atraindo uma nova geração de leitores de literatura africana. Venceu a categoria ‘Winner of Winners’, do Women’s Prize for Fiction, pelo seu romance Meio Sol Amarelo.
Maya Angelou é uma escritora, poetisa e ativista dos direitos humanos. Foi uma das vozes mais destacadas das artes e letras norte-americanas e tornou-se conhecida sobretudo pelas suas autobiografias, que são também uma história dos Estados Unidos da América.
Quais são as tuas sugestões de livros para o Dia Internacional das Mulheres?


