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NOTEBOOK | ERA UM VEZ UM FEVEREIRO VAZIO

carnaval de torres vedras revenge of the 90's

Fevereiro é sinónimo de festa e de folia. Este pequeno e frio mês é a razão para eu suportar o inverno e encontrar alegria nesta estação cinzenta. Porque é neste mês que a vida se enche com cores e vida incomparáveis.

Quem me conhece sabe que não sou a presença mais assídua em festas e são poucas a noites em que saio até tarde. Prefiro o conforto de casa, um bom livro ou uma série. Por outro lado, quando saio dou tudo. Adoro um bom concerto e festas que tenham a ver comigo. Gosto de estar na primeira fila, de cantar, saltar, dançar e gritar – sim, aqueles guinchos agudos capazes de soar por cima do som das colunas gigantes. Posso ir pouco, mas, quando vou, dou tudo. 

Há duas festas que são donas do meu coração: o Carnaval de Torres Vedras e a Revenge of The 90’s. Se a primeira é a rainha de fevereiro desde sempre – não importa se calha em março, nós começamos a festejar muito antes – a segunda tem marcado presença na cidade pela mesma altura. Uma espécie de assalto temático, com uma viagem no tempo à mistura.

carnaval de torres vedras

Este ano não há nada. A cidade está vazia, falta-lhe as bandeiras, as decorações, o monumento, a cor. Falta-lhe vida! Este ano não há conversas sobre do que nos vamos mascarar em cada um dos cinco dias de Carnaval – o sexto é o enterro. Este ano não há uma cidade invadida por crianças a desfilar ao som da Xuxa e do Panda e os Caricas, enquanto familiares e amigos se empurram só para ver o seu pequeno passar. Este ano não há a chegada dos Reis, nem ministros e Matrafonas. Não carros alegóricos, trio elétrico e desfiles. Não há grupos organizados nem o corso trapalhão. As praças e as ruas do centro estarão em silêncio e abandonadas. Não vai haver milhares de pessoas a cantar pela Anna Júlia em uníssono e tampouco a encarnar o João Baião enquanto saltam a gritar “o Big Show está no aaaaar”.  Não vai haver o Samba da Matrafona a tocar em loop, encontros espontâneos, nem Carnavalinhos a pé até Torres. Este ano não há Carnaval e parece não haver fevereiro.

Janeiro já pareceu meio despido. Em especial naquela tarde passada em Torres, em que as únicas referências ao nosso Carnaval eram os autocolantes nas lojas, bares e cafés que estão lá há anos. Despido pela falta das conversas, dos planos  e da expectativa para fevereiro. Despido de publicações a promover a Revenge Of The 90’s, da venda de bilhetes e de todo o entusiasmo para a melhor viagem no tempo.

revenge of the 90's

Ah, a Revenge… A noite de ontem/madrugada de hoje, há um ano, foi das melhores da minha vida. E só queria poder voltar a esse dia. Longe de vírus e de isolamentos. Perto de amigos, a cantar e dançar no meio de desconhecidos. Todos juntos, sem medos. A última festa num recinto fechado, antes de toda esta pandemia-pandemónio.

A última foi o meu Carnaval. Se era para despedir (mesmo sem saber) não podia ter sido melhor. Foi na segunda-feira, o meu dia preferido, com a prima mais doida. Uma noite passada entre o trio elétrico e os carros de Matrafonas. Uma noite em que estava adoentada – porque era normal sair mesmo que se estivesse adoentada, hoje estaria em isolamento – mas, fui na mesma porque se não for vou-me arrepender, tenho de fazer render o kit e sei lá se para o ano posso ir, argumentei na altura. Mal sabia, o que nos esperava. Ou não esperava.

Sim, eu sei que há a iniciativa do Carnaval Online e que me posso mascarar em casa, mas não é a mesma coisa. Não estou motivada para ver DJ’s a passar as músicas que já têm feito parte dos meus dias, nestas últimas semanas. Porque o espírito não passa e o coração grita por Ivete, Daniel Mercury, Netinho e tantos outros. Ainda não fui buscar as máscaras, mas sem dúvida que as vou usar. Nem que seja apenas o fato-pijama de cão. Pelo menos é quentinho. Sempre dá para aquecer e assinalar a data.

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