Presépio vivo
Hoje é dia dos Reis, mas a celebração foi ontem, com a visita ao Presépio Vivo da minha aldeia. A viagem ao ano 1 começa antes de entrar no recinto. O cheiro a eucalipto, o som ambiente e os cânticos e os guardas romanos na entrada, levam-nos para uma época remota e envolvem-nos no espírito festivo. O presépio está todo coberto por verduras, bloqueando qualquer vislumbre do que se passa lá dentro. Desta forma, aguça a curiosidade sobre o que está à nossa espera, do outro lado da passagem.
A entrada é um túnel estreito, feito de trancas de eucalipto e quando, finalmente, chegamos ao presépio vemos as lavadeiras a esfregar a roupa no lago, à direita, e dois burros simpáticos, à esquerda. Dali, é possível ter uma visão do cenário exterior e do que vem a seguir. Ao mesmo tempo, fica-se com a sensação (correta) de existir, ainda, muito por descobrir.
Seguimos caminho até à saída e, novamente na rua, vemos mais uma cascata e o caminho leva-nos a passar mesmo por baixo desta. Passamos pela taberna, onde se pode beber vinho quente e comer um pão com chouriço ou torresmos. Continuamos para encontrar o carpinteiro, o ferreiro, o cesteiro, a moleira, junto ao moinho, a banca da fruta e a dos tecidos, bem como a tecedeira e a oleira. No meio do cenário, um grupo de jovens, canta as janeiras.
Parece que chegou o final da viagem, mas a romaria ainda não terminou. No largo, em frente ao recinto vai-se juntando gente à espera da chegada dos Reis Magos. Um tempo depois, lá chegam eles, montados em cavalos, em vez de camelos. Voltamos a entrar, para a passagem dos Reis. Estes deixam os animais à porta e entram no presépio, cada um com um presente na mão, para ir conhecer o menino. O coro continua a cantar. O povo convive. Troca-se uns dedos de conversa com os figurantes, como todos estivéssemos na encenação. A festa está feita e foi, mais uma vez, um sucesso.


One Comment
Andreia Morais
Que experiência fantástica!