rapariga ansiosa, rosa silva
O livro Rapariga Ansiosa, tal como o nome indica, fala de uma mulher que sofre de ansiedade e ataques de pânico, devido a um burnout e a um episódio específico da sua vida.
Após ter um episódio de ansiedade bastante forte, Mel, a protagonista, decide que está na hora de fazer uma pausa e tirar umas semanas de férias nos Açores.
Mel é uma advogada inteligente e profissional, mas muito tontinha no que diz respeito à sua vida. É daquelas personagens que dá vontade de dar um abanão e dizer para acordar e ver a realidade tal como ela é.
Não a vou julgar muito, também já tive momentos assim, em que preferi concentrar-me em ilusões em vez de encarar a vida. As vezes ainda me permito fazê-lo, mas com a diferença que sei que a minha mente está apenas a divagar e com consciência do mundo real.
Gostei muito da premissa deste livro. Acho muito importante livros que falem de saúde mental, porque é uma forma de normalizar e alertar para o problema.
Em relação à história em si, senti que podia ser mais curta e concisa. Há muitas repetições de ideias e demasiados temas para se falar. Percebo a importância de narrativas paralelas, e por norma é algo de que gosto. Mas neste caso havia demasiadas.
Penso que a história ganhava muito mais se só se ficasse na questão da ansiedade e não houvessem tantos outros temas relevantes a serem abandonados. Isto fez com que o foco da mensagem se dissipasse e com que os temas não fossem tratados com a devida atenção, tendo sido tudo mencionado muito por alto.
Apesar de tudo, gostei do final e da decisão que a Mel escolhe para si, bem como da mensagem associada.
Ser uma rapariga ansiosa
Este foi daqueles livros que me chamou a atenção pelo título. O motivo é simples: identifiquei-me muito, porque eu também sou uma rapariga ansiosa. E quando a autora Rosa Silva me contactou para mo ceder fiquei muito grata, porque é sempre bom poder usar a minha voz para falar sobre saúde mental.
E penso que o identificar-me tanto com a temática fez com que não apreciasse tanto o livro como esperava. Quanto mais o tempo passa, mais percebo que algumas das partes que me incomodaram neste livro é porque são coisas que me custam a admitir que faço o mesmo.
Há uns tempos disseram-me que o que nos irrita nos outros, muitas vezes, é aquilo que nos revemos neles mas custa-nos a admitir. E houve algumas situações neste livro que, agora à distância, percebo que, inconscientemente, quase me senti atacada por me rever demasiado.


