viver é dançar
brisas

viver é dançar sem saber a coreografia

Viver é dançar sem saber a coreografia.

Muitas vezes quis ser bailarina profissional. Não para estar em palco, mas para saber dançar pela vida. Saber cada passo, ter a musicalidade no corpo para me deixar levar pelos dias de forma leve e fluída.

Mas para ser excelente é preciso anos de treino e a vida é breve. Não temos tempo para ensaios. Vivemos na beleza do improviso como quem dança sozinha no quarto.

Eu gosto muito de dançar sozinha no quarto. Em especial de manhã. Os dias correm muito melhor quando ponho uma música alegre a tocar e deixo-me levar pelo seu ritmo. Dizem que canta seus males espanta, eu espanto os meus a dançar. Ou a escrever.

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Há uns tempos falei deste pequeno ritual à minha psicóloga, que adorava mas que me chateava porque, apesar do gosto, tenho dois pés esquerdos e pouco sentido de ritmo. Ao que ela me perguntou se eu tinha mesmo de saber dançar profissionalmente para o fazer.

A resposta é um não, muito simples e muito básico. Conscientemente eu sei isso muito bem, o problema é o subconsciente que me adora boicotar em tudo. Até nas danças matinais que me dão tanta boa disposição e inspiração.

Por vezes é difícil aceitar que não tenho de ser boa em tudo. Que posso ter um hobby só pelo prazer que me dá e não para o rentabilizar nem acrescentar nada mais além de felicidade.

Tenho tentado contrariar isso. Escrever só para mim, cantar desafinada, treinar sem aspirar um corpo musculado, arriscar sem pensar em resultados ou julgamentos, ler um mistério sem ter ir a um museu sem perceber nada dos quadros que vejo, dançar só porque me sabe bem.

Talvez viver seja isto, aceitar as imperfeições e prazer de fazer coisas só porque sim.

Talvez viver seja dançar como se ninguém tivesse a ver. Sentir a música de uma forma única e abraçarmos o imperfeito que torna os dias especiais.

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